quarta-feira, junho 19, 2019
365 Dicas Terapêuticas

QUER AJUDAR? Então afaste-se! – 14/365

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Ele me disse que tudo que desejava era ajudar a sua esposa e por este motivo estava sempre ajudando-a a tomar as melhores decisões, indiciava os médicos certos e “até” sabia quais as amigas que lhe faziam bem e de quem ela deveria se afastar.

Ela tinha uma obsessão pela maneira que a filha conduzia o seu casamento e estava sempre muito presente em sua vida para ajudar que ela tivesse um casamento perfeito, afinal ela só tinha 19 anos e casou-se há 7 meses e fazia questão de ser a melhor mãe do mundo!

Apesar de serem duas histórias distintas, estas pessoas possuem algo em comum – Elas acham que estão ajudando, enquanto tudo o que estão fazendo é interferir no processo de aprendizagem e evolução da outra pessoa!

Muitas vezes vejo a vida dos meus filhos e chego a dar dicas suaves (Quando me perguntam) ou até quando necessário “interfiro”, porém sempre deixo claro que a decisão final deve ser deles e jamais minha e cada vez mais assisto coisas acontecerem e não interfiro, para deixar com que eles tenham suas próprias experiências, pois sei que são estas experiências que vão ajudá-los a construir os seus recursos internos.

Sou terapeuta há 18 anos, ok! Mas não posso salvar o mundo e confesso que esta nunca foi a minha intenção, mas gosto de acreditar que salvo todos os dias alguém (deste mundo). Porém, convivo com amigos que possuem situações simples, mas que para eles são complexas e dou uma dica aqui, jogo uma semente ali e acredito que o exemplo ajuda mais que palavras, porém eles precisam viver o seu momento, precisam compreender as suas dores e interferências são mesmo algo ruim!

Existem milhares de maneiras de ajudar uma pessoa e se afastar é uma delas! E não confunda a minha dica, como uma orientação para abandonar as pessoas ao seu redor, mas muitas vezes precisamos ficar em silêncio, apenas ouvir e deixar que esta pessoa, esta amiga tome as suas próprias decisões e possa avançar na vida, pois se todas as vezes mostrarmos o caminho, o dia que não estivermos lá ela não saberá procurar a melhor saída e ficará perdida! Completamente perdida.

Durante muitos anos eu achava que sabia todas as respostas e falava, opinava e às vezes chegava a desenhar um mapa para as pessoas seguirem e (EU) o todo poderoso terapeuta interferia em processos altamente importantes da minha família, amigos e até clientes. Hoje aprendi que posso ser quem ajuda, indica, mas jamais quem mostra o caminho e ainda pega a pessoa pela mão para mostrar a experiência.

A “experiência” é individual e cabe a pessoa vivê-la, afinal é a história (dela) e não a minha e claro que em consultório, sou pago para trazer solução e faço isso lindamente através do inconsciente da pessoa, mas jamais entrego o desenho do mapa! Apenas o meu cliente pode desenhar este mapa e uma vez fazendo isso a experiência dele é mesmo brutal.

Há pouco tempo uma amiga me contava sobre a sua vida! Ouvi atentamente e de maneira eufórica ela descrever a vida (desgraçada) que estava vivendo e o casamento mau, a falta de dinheiro e outras coisas que já ouvi mais de uma vez e todas as vezes que ela me contava eu sempre dizia:. “Se continuar a fazer a mesma coisa, o resultado será o mesmo! E enquanto não aprender a lição, a história vai se repetir.”

Desta vez apenas ouvi! Ouvi e balançava a cabeça e quando ela me perguntou se eu não iria dizer nada, eu sorri e respondi: “Não! É a sua vida! Suas dores, Seus problemas! Nem eu e nem ninguém fará nada por você! Olha, vamos almoçar?”

Reclamar, desabafar, falar alto e repetir tudo de novo pode virar um vício perigoso, penso eu! Há pessoas que acreditam que isso é importante e chegam a dizer que é uma necessidade, mas não percebem que vivem apenas vomitando suas historinhas mal contadas e nada além disso. N.a.d.a MESMO! A questão aqui não é o ato de desabafar, por favor, não! É o vomitar tudo para todos e não a iniciativa de fazer a verdadeira transformação.

Temos pessoas que acham que as (outras) pessoas têm a obrigação de contribuírem para as suas mudanças! Parece que elas devem tomar decisões e até atitudes para melhorar “ou” resolver situações que jamais serão resolvidas, se a própria pessoa não assumir as rédeas da vida.

Preste mais atenção! Quer MESMO ajudar? Então afaste-se!

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